Casa acessível: como adaptar a sua habitação sem obras invasivas 

Uma casa sem barreiras arquitetónicas é um espaço que pode ser vivenciado de forma independente e que favorece a liberdade de movimento. Melhora a qualidade de vida em qualquer idade, especialmente no caso das pessoas idosas com dificuldades motoras e das pessoas com deficiência.

Por estes motivos, nas últimas décadas, o conceito de acessibilidade — que define um espaço livre de barreiras arquitetónicas — tem-se difundido cada vez mais. Projetar edifícios novos e reabilitar os existentes sob a ótica da acessibilidade é hoje um ponto fundamental da arquitetura, também graças às leis promulgadas ao longo dos anos em Portugal (como o Decreto-Lei n.º 163/2006).

O que significa uma casa sem barreiras arquitetónicas?

Comecemos por uma definição: as barreiras arquitetónicas definem-se como os impedimentos físicos que dificultam o movimento ou o acesso aos vários ambientes domésticos.

Pode tratar-se de um degrau à frente da porta de entrada ou de escadas internas, ou externas na própria habitação. Noutros casos, o obstáculo é o mobiliário pouco acessível ou os espaços de manobra insuficientes nos compartimentos, sobretudo para quem se desloca em cadeira de rodas. Também os aparelhos sanitários de difícil alcance, bem como os puxadores e interruptores difíceis de manusear, constituem barreiras arquitetónicas.

Quais são os elementos que definem se uma casa é acessível?

Analisamos as principais categorias de barreiras arquitetónicas domésticas para compreender como removê-las e como melhorar a acessibilidade de uma habitação com algumas intervenções específicas.

1) Remoção das barreiras arquitetónicas à mobilidade

Os lanços de escadas e os degraus são o obstáculo mais evidente à acessibilidade em casa. Impedem a deslocação de quem se move em cadeira de rodas ou com outros auxiliares e limitam fortemente a independência de pessoas idosas, pessoas com capacidade motora limitada ou sujeitas a fadiga.

Consideramos duas tipologias de escadas:

  • externas: para ligar o apartamento ao nível da rua. Na ausência de um ascensor, plataforma elevatória ou cadeira elevatória, os lanços de escadas do condomínio podem limitar fortemente a vida social e as deslocações quotidianas das pessoas com dificuldades motoras.
  • internas: num apartamento disposto em vários níveis ou com pisos intermédios, sótãos ou caves. Nestes casos, a pessoa tem dificuldade em realizar as atividades diárias normais e na passagem de um ambiente para outro da casa.

Em ambos os tipos de escadas, a solução mais rápida e com a melhor relação qualidade/preço é a instalação de uma cadeira elevatória, uma plataforma elevatória ou um ascensor residencial. Estes produtos partilham vantagens fundamentais em termos de acessibilidade:

  • equipamentos flexíveis e personalizáveis para qualquer tipo de escada (reta, curva ou em caracol), com um número variável de lanços, com ou sem patamares, em larguras reduzidas e para instalações interiores ou exteriores.
  • frequentemente não são necessárias obras de alvenaria, escavações, licenças de construção complexas ou procedimentos burocráticos como um ascensor tradicional.
  • a instalação é, muitas vezes, rápida.
  • capacidade de adaptação, a nível estético e funcional, a qualquer tipo de ambiente, como o átrio de um edifício histórico, um pequeno condomínio, apartamentos urbanos ou casas de férias em estilo rústico, ou contemporâneo.

As soluções da KONE Motus para a acessibilidade doméstica

A KONE Motus oferece diversos produtos para a melhoria da acessibilidade em casa:

  • plataformas elevatórias: a Fluido da KONE Motus é a plataforma elevatória ideal para pessoas em cadeira de rodas, superando barreiras arquitetónicas em qualquer tipo de escada. A plataforma elevatória vertical Dinâmico da KONE Motus é o equipamento hidráulico projetado para permitir que pessoas com mobilidade reduzida e em cadeira de rodas superem as diferenças de nível dos edifícios.
  • cadeira elevatória: a Vivaz da KONE Motus é a cadeira elevatória perfeita para idosos e pessoas com mobilidade reduzida ligeira.
  • ascensor residencial: o Harmónico da KONE Motus é discreto e elegante, estando disponível para instalação no interior ou exterior.

Para escolher o modelo mais adequado, pode contactar a equipa local da KONE Motus para uma visita gratuita à sua casa. Desta forma, será possível avaliar a configuração dos espaços e as necessidades específicas da sua família, recebendo um orçamento detalhado, também gratuito.

2) Superação de pequenos desníveis que dificultam a habitabilidade

As habitações podem apresentar outro tipo de barreiras arquitetónicas que impedem a utilização segura e serena do espaço: degraus isolados, grupos de degraus e desníveis entre as divisões ou na entrada, no acesso ao terraço, ao pátio, e assim sucessivamente.

Rampa fixa ou móvel

Quando as dimensões reduzidas do desnível não justificam a presença de uma cadeira elevatória ou de um ascensor residencial, pode recorrer-se ao uso de uma rampa, que pode ser fixa ou móvel (se a frequência de utilização não for elevada), podendo ocupar toda a largura ou apenas uma porção da passagem.

Para compreender se a rampa é a melhor solução, é necessário fazer algumas avaliações. A normativa estabelece que um desnível só pode ser superado sem o auxílio de rampas se for inferior ou igual a 2 cm. Para desníveis superiores, as rampas devem ter a menor inclinação possível e satisfazer uma das seguintes condições:

  • inclinação máxima de 6%: para superar um desnível não superior a 60 cm e com uma projeção horizontal máxima de 10 m.
  • inclinação máxima de 8%: para superar um desnível não superior a 40 cm e com uma projeção horizontal máxima de 5 m.

No caso de reabilitação de edifícios existentes, se o espaço for limitado, são admitidas exceções:

  • inclinação de 10%: para desníveis até 20 cm e comprimento máximo de 2 m.
  • inclinação de 12%: para desníveis até 10 cm e comprimento máximo de 83 cm.

Rampas para umbrais

Em casa são também muito úteis as rampas para umbrais, a colocar na soleira de uma porta ou porta-janela, sobre o lancil, para a tornar acessível de ambos os lados.

Puxadores ergonómicos e corrimãos

Para facilitar a autonomia de movimento, é importante colocar puxadores ergonómicos e corrimãos em pontos estratégicos: escadas, rampas, entrada, junto aos sanitários, à cama ou à poltrona. Segundo a norma, a altura dos corrimãos deve estar compreendida entre 85 cm e 90 cm.

3) Adequação de espaços de manobra e passagens

O espaço necessário para efetuar manobras, inverter a direção do movimento e deslocar-se lateralmente é um aspeto fundamental para a mobilidade doméstica de quem utiliza deambuladores, cadeiras de rodas, bengalas ou muletas.

Muitas vezes a casa reserva obstáculos ocultos: entradas e corredores estreitos, espaços de manobra insuficientes em varandas, na casa de banho ou ao abrir a porta do frigorífico.

Substituição de portas e caixilharias

As soluções são variadas: em alguns casos, basta substituir as portas interiores por modelos de correr (embutidas na parede) ou deslocar o mobiliário para criar espaços mais amplos. As portas de bater podem ser eliminadas em favor de sistemas de correr ou basculantes com comandos elétricos.

Para os armários do quarto, a melhor solução é adotar portas de correr ou de fole; para os armários superiores da cozinha, pode optar-se por portas de correr, de persiana ou basculantes, com possibilidade de abertura automatizada.

Também no caso de cadeiras elevatórias e ascensores residenciais é fundamental estudar as zonas de manobra. Existem modelos com dimensões adequadas para quem utiliza cadeiras de rodas ou deambuladores, sozinhos ou com acompanhante: as botoneiras e os corrimãos são posicionados a uma altura acessível e as portas são de fole ou de correr.

4) Tornar acessíveis às divisões da casa

Para além de estudar os espaços de manobra e avaliar a substituição de portas e caixilharias, é importante considerar as especificidades das divisões mais utilizadas, como a cozinha, a casa de banho e o quarto. Vejamos algumas indicações para melhorar ainda mais a sua acessibilidade.

A cozinha

Para reduzir ao mínimo as deslocações na cozinha e tornar acessíveis às bancadas e a zona de confeção, é preferível utilizar placas de indução, uma vez que não funcionam com chama viva, eliminando o risco de queimaduras diretas ou fugas de gás. Em caso de problemas de visão ou reflexos lentos, pode ser útil instalar um painel luminoso que sinalize se a placa está ligada, garantindo maior proteção.

A casa de banho

As medidas de uma casa de banho acessível são definidas pelo Decreto-Lei n.º 163/2006. Como o espaço nesta divisão é frequentemente reduzido, é fundamental estudar cada detalhe para que existam espaços suficientes para a movimentação com muletas ou em cadeira de rodas, tanto em reabilitações como em construções novas.

Para além de posicionar os aparelhos sanitários às alturas corretas, é possível optar por pavimentos de duche antiderrapantes, torneiras com comando de alavanca ou célula fotoelétrica, e sistemas de descarga de água em posições acessíveis.

O quarto

Nesta divisão, uma solução ainda mais eficaz do que a substituição das portas do armário é a criação — se o espaço o permitir — de um closet (walk-in closet) com prateleiras acessíveis. Para que levantar-se da cama não exija esforço e seja seguro, o ideal é optar por uma cama de altura regulável e com estrado articulado elétrico acionável por comando, facilitando as mudanças de postura e o levantamento da pessoa sem esforço. 

5) Altura e posicionamento de interruptores e acessórios

Numa casa acessível, cada detalhe deve ser pensado para garantir a autonomia de quem se desloca em cadeira de rodas. Pequenas variações na altura ou na posição de um objeto podem fazer a diferença entre um ambiente funcional e um cheio de obstáculos.

  • Comandos e terminais: intercomunicadores, interruptores e tomadas de corrente devem ser posicionados numa faixa de fácil alcance. A normativa prevê uma altura compreendida entre 80 cm e 120 cm do piso.
  • Lavatório acessível: A altura recomendada do piso ao bordo superior é de 80 cm (com uma tolerância de ±2 cm). É fundamental que o lavatório seja do tipo “suspenso” (sem coluna) para permitir a aproximação frontal da cadeira de rodas. Sob o mesmo, deve ser garantida uma zona livre com largura mínima de 70 cm, altura mínima de 65 cm e profundidade mínima de 50 cm (medida a partir do bordo frontal). A profundidade total do lavatório não deve exceder os 60-65 cm para permitir alcançar facilmente a torneira enquanto sentado.
  • Aparelhos sanitários e espaços de manobra: na casa de banho, o posicionamento dos sanitários deve permitir uma zona de manobra livre para uma rotação de, pelo menos, 180°. Se a casa de banho for de uso frequente ou principal, é preferível garantir um espaço de rotação de 360° (equivalente a um círculo de aproximadamente 150 cm de diâmetro).
  • Duche: É vivamente preferível um duche ao nível do pavimento (sem qualquer degrau). Se não for possível a entrada direta com a cadeira, deve ser previsto um assento interno e uma área de transferência lateral com, pelo menos, 80 cm de largura.

6) A domótica para automatizar a gestão da casa

A domótica auxilia a casa acessível com uma variedade de soluções personalizáveis para automatizar as principais operações de gestão doméstica, tais como:

  • abrir e fechar portas e ativar alarmes em horários programados.
  • acender as luzes e regular a sua intensidade.
  • marcar números de telefone e comunicar com o exterior.
  • ativar a televisão e sistemas de som.

Os dispositivos de reconhecimento de voz, com microchip, de toque (touch) ou de pressão respondem às necessidades da pessoa com deficiência, garantindo-lhe o máximo nível de segurança e fiabilidade.

 

Contacte-nos

Se precisar de informações ou quiser agendar uma visita com um consultor KONE, estamos à sua disposição. As visitas e os orçamentos são sempre gratuitos: elaboraremos uma simulação da plataforma elevatória, cadeira elevatória ou do elevador residencial integrado no seu espaço e ajudamo-lo a escolher o produto e os acabamentos mais adequados às suas necessidades.

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